A FALECIDA
(1979)

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  • DEPOIMENTOS (2/3)
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    Depoimento de Flávio Império a Sábato Magaldi
    1980
    Acervo Flávio Império

    © Flávio Império

    O Teatro de Vicenza, uma magnifica obra de Palladio, sempre foi, para mim, uma espécie de síntese de um tipo de espaço teatral. No caso de A Falecida ele veio à minha cabeça e pensei que aquele espaço poderia me servir. Era urbano, era fora e, ao mesmo tempo, era dentro. E pensei: olha aí, meu Deus do céu! Dá para gente fazer com as três perspectivas uma relação espacial muito interessante! Fui procurar na peça se ela continha essas simetrias, o que faria possível dividir o palco em três eixos: um lado direito, um esquerdo e uma oposição. E eu já tinha, na minha cabeça, essas oposições: eram a morte e a vida, o casamento, o sexo, a funerária, a exploração da mitologia da morte, do enterro, aquela coisa toda. 

    Trabalhei três meses, concentrado em cima disso. Porque tinha que passar o tempo inteiro da visão plana da planta, do corte e da elevação para o espaço tridimensional experimentalmente, porque não dava para fazer a coisa desenhando. Tinha que ser feito, necessariamente, em três dimensões. Em cada momento as três dimensões tinham que existir, eu não queria reduzir nada a plano de fundo, eu queria explorar a espacialidade que o teatro italiano tem.

    A mise-en-scéne que pensada na maquete foi realizada no palco. Cada começo de cena, que Osmar ia marcar pela primeira vez, ele me chamava e eu ficava do lado explicando qual era o mecanismo da ação dos personagens dentro daquela área do cenário que seria iluminada naquele momento. Então, o tempo das mudanças e dos levantamentos de pano e tudo o mais, estavam todos medidos em função de uma dinâmica das passagens das cenas.

    FLÁVIO IMPÉRIO

    A FALECIDA
    (1979)